Sim, precisamos falar sobre o cérebro
- Sylvia A
- 23 de mai. de 2025
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E vamos aos números: nascemos com aproximadamente 86 bilhões de neurônios. Cada neurônio é capaz de fazer aproximadamente 10 mil sinapses com outros neurônios, ou seja, um neurônio é capaz de se conectar e se comunicar com outros 10 mil neurônios. Assim como qualquer outro sistema biológico, o nosso cérebro possui a capacidade de autorregulação. Essa capacidade ocorre através da utilização e fortificação dessas sinapses: quando uma estrutura é utilizada, ela é fortificada; quando não, ela é descartada. Apesar de os genes serem a base biológica que estrutura o funcionamento cerebral, não são eles que determinam qual conexão neuronal permanecerá. Como dito, esses sistemas se regulam conforme a sua utilização, o que os torna capazes de se ajustar a qualquer situação. Um exemplo que elucida essa afirmação é um recém-nascido, que é capaz de aprender qualquer idioma com todas as suas particularidades e fonemas. Portanto, as habilidades que serão desenvolvidas por um cérebro saudável de uma criança serão definidas pelos estímulos aos quais essa criança será submetida. Ou seja, possuímos um sistema que, por si só, é capaz de gerar ações e movimentos e, devido à sua capacidade plástica, é capaz de se adaptar ao meio em que está inserido.
O cérebro é parte do nosso sistema nervoso, explico: quando pensamos no sistema respiratório, compreendemos uma rede de tubos que captura e conduz os gases necessários para a nossa sobrevivência. Quando pensamos no sistema circulatório, compreendemos uma rede que permite a circulação do sangue através dos vasos sanguíneos. Com essa mesma lógica, quando pensamos no nosso sistema nervoso, devemos compreender um sistema de nervos, ou melhor, de neurônios interligados por toda a nossa extensão corporal, que transportam sinais. Esses sinais (aquelas 100 trilhões de conexões) indicam que houve uma alteração corporal, seja ela produzida pelo próprio cérebro ou por um estímulo externo. O cérebro capta essas modificações através dos sentidos, seja uma alteração da luz, da temperatura ou algo que tenha causado medo ou alegria. As vias sensoriais identificam essas alterações e as direcionam ao cérebro, que então causa novas alterações no corpo. É a partir da leitura de todos esses sinais que o cérebro efetua a sua auto-organização. Essa auto-organização cerebral ocorre ao longo de toda a nossa existência. Contudo, devido à quantidade de neurônios disponíveis e à sua grande capacidade plástica, é na infância que essa capacidade biológica pode se tornar habilidades.
Quando falamos do desenvolvimento humano, estamos falando de uma equação complexa que tem como resultado o aprendizado. Conforme a experiência demonstra uma reação positiva, uma determinada ação é repetida e interiorizada. Ainda assim, não se engane: essa auto-organização cerebral e adaptação ambiental podem trazer consequências não tão boas.
Até o próximo texto.
Fontes: BRANDÃO, Marcus Lira - As bases biológicas do comportamento: introdução à neurociência. São Paulo, Editora Pedagógica e Universitária, 2004.
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