Observações do bebê para as visitas
- Sylvia A
- 19 de mai. de 2025
- 3 min de leitura
Atualizado: 23 de mai. de 2025

Queridos avós, amigos e cuidadores:
Obrigado por me visitarem. Vocês são especiais para mim.
Por favor, lidem comigo suavemente. Perguntem se estou preparado antes de me pegarem, e esperem mina resposta. Perguntem se eu quero ganhar um abraço ou um beijo - vocês vão entender que não quero se eu curvar as costas, afastar-me ou chorar. Não levem isso para o lado pessoal. Às vezes, eu preciso de mais tempo para me animar.
Conversem comigo quando trocarem minha fralda, alimentarem-me e me darem banho. Digam o que estão fazendo. Toquem meu corpo com o máximo de suavidade e sem pressa, pois isso ainda è uma novidade par mim. Eu adoro esses momentos de conexão.
Conversem comigo - se eu emitir um som, vocês me imitam. Contem o que são todas as as coisas que estão ao meu redor - os nomes daquelas arvores, flores e legumes. Eu quero saber tudo. Eu gosto de uma voz cantarolada, mas vocês não precisam exagerar nem falar palavra palavras sem sentido como gu-gu, gá-gá". Imitem meus sons, mas também conversem comigo como se eu entendesse tudo, pois estou absorvendo o máximo de coisas as possíveis.
Fora isso, eu também gosto de silêncio quando estou me concentrando em alguma coisa. Deixem eu terminar de explorar minhas mãos, os dedos dos pés, aquela folha, aquele chocalho, aquele mobile, aquela bola. Minha concentração é tão importante quanto a de vocês quando estão focados em sua coisa favorita. Então, por favor, não me interrompam.
Se eu cair e corar, esperem um pouco antes de correr para me acudir. Deixem que eu sinta o susto, pois estou descobrindo como as coisas funcionam. Às vezes, eu me recupero na hora, como se nada tivesse acontecido.
Se eu precisar mesmo de consolo, perguntem se eu gostaria de ganhar um abraço. Não digam para eu não me preocupar ou não chorar nem tentem me distrair. Eu quero que as pessoas me deixem processar esses sentimentos. Perguntem apenas se eu levei um susto.
Quando choro, estou tentando comunicar alguma coisa. Por favor, não me ignorem. Eu não choro só quando estou com fome. Coro quando não consigo dormir (às vezes, colocar uma mão suavemente sobre mim é suficiente). Choro quando o dia me deixou agitado demais (vocês podem me confortar e parar de me estimular). Choro quando quero experimentar alguma novidade (tentem me por em outro espaço ou me deem uma atividade diferente). Coro e esperneio quando meu estomago dói. Coro de incomodo quando minha fralda esta molhada ou sua. Eu choro quando as roupas arranham (por favor, me vistam com roupas macias com poucas costuras e etiquetas para não irritar minha pele) ou quando há um vinco na manta onde estou deitado, pois isso me da coceira. Choro quando há muito movimento em casa (amo meus irmãos, mas que tal vocês me deixarem em um lugar tranquilo?). Choro quando há pouco movimento em casa (e adoraria me deitar sob as arvores e olhar as folhas se mexendo). Choro quando tomo leite demais e meu estomago demora a fazer a digestão. E em alguns dias fico irritado à toa e gostaria que vocês me amassem mesmo assim.
Ajudem-me o mínimo possível, mas o quanto for necessário - se me ajudarem de mais, nunca vou conseguir fazer descobertas maravilhosas por conta própria; mas se não me aduarem nem um pouco, talvez eu desista do mundo ao meu redor. Eu sei que vocês descobrirão o equilíbrio certo.
Deixem-me ficar perto de vocês.
Também me ponham ao ar livre. A natureza é o melhor presente.
Por favor, compartilhem seus dons e talentos comigo. Cantem para mim, toquem um instrumento, levem-me ao jardim quando forem plantar alguma coisa, mostrem-me como vocês tricotam ou fazem entalhes na madeira, ensinem-me seu esporte favorito ou jogo de cartas, contem-me sobre o passado.
Eu não preciso de muitos presentes. Prefiro brinquedos simples, sem luzes piscantes nem canções estridentes, pois me fazem pensar e interagir com eles. Eu não gosto de telas, pois a luz atrapalha meu sono, mas gosto muito de tocar objetos e coloca-los na boca.
E, por falar em, boca, e com ela que eu observo o mundo. Então, me deixem por coisas na boca, mas tirem aquelas que não são seguras para mim.
Sorriam para mim, riam comigo, olhem fundo nos meus olhos.
Se vocês me amarem, eu também os amarei.
Texto exato do trecho retirado:
DAVIES, Simone; UZODIKE, Junnifa. O bebê Montessori: um guia para criar bebês com amor, respeito e compreensão. Tradução de Paula Di Marco. São Paulo: Editora Nversos, 2022.
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